domingo, 8 de abril de 2018


As belezas do passado: a Praia e o porto de Maria Angú!





Quando olhamos para o passado não conseguimos compreender como algumas coisas desapareceram e ninguém agiu contra a barbárie. Em nome do progresso, monumentos da natureza e verdadeiros paraísos do litoral da Baía de Guanabara desapareceram devido a ação do homem, ação do progresso e ação do capitalismo.

Inúmeras praias, animais e vegetação desapareceram e deu origem a Avenida Brasil, ao cemitério do Caju, quarteis da Marinha, entre outros...

Vamos voltar aos tempos da colônia e do Império e conhecer um verdadeiro paraíso entre a Penha e Olaria, a praia de Maria Angú era o reduto do comércio da zona rural carioca e local de refúgio de escravos.

Um porto e Uma praia

A região praieira da Penha, próxima aos mangues do Saco do Viegas (Na altura dos viadutos Lobo Júnior e Luzitânia), era chamada de “MARIANGU”, nome indígena de uma ave abundante no recôncavo da Baía de Guanabara. Outra possibilidade da origem do nome é devido a uma lenda eu no local morava uma escrava de nome Maria que vendia angú para os viajantes e comerciantes local .

 Nela surgiu o Porto de “Maria Angu” (Que ficava em Olaria, no final da rua Pirangi). Do qual partiam as embarcações, para o centro do Rio de Janeiro colonial. A boa parte do litoral da Penha era composta por um grande manguezal; principalmente na altura da Lobo Júnior até a foz do rio São João de Meriti. Antes dos grandes e sucessivos aterros, o litoral era muito diferente. (Esses aterros deram origem primeiro, ao Complexo da Marinha, e depois ao Mercado São Sebastião) Definição do litoral antigo; Do viaduto Luzitânia até o mercado São Sebastião, a região era conhecida como praia da Moreninha ( Região de Cordovil) ou comunidade dos pescadores. Nos dias de hoje este mesmo local, é conhecido como favela de Vila Kelson's ou como Favela da Moreninha.

Alguns moradores antigos da região relatavam que a praia da Moreninha era frequentada pela população , era o local de diversão de um povo pobre que começava a habitar o que viria a ser o bairro de Cordovil.

Na Fazendinha da Penha, onde localiza-se também a CEDAE e a faculdade Castelo Branco; Existiu o 'Porto das Barcas'. Era um porto, que fazia parte do ramal ferroviário, construído em 1890 pela Inspetoria de Obras Publicas, vindo da Estrada de Ferro Rio D'ouro em Vicente de Carvalho, com extensão de 6 quilômetros. Facilitando o transporte de gado vindo de Santa Cruz, para o matadouro da Penha. O terreno do matadouro, foi criado e se expandindo aos poucos a partir de 1892. Foi totalmente comprado da Fazenda Grande da Penha, em 1910, pelo Sr. Custódio Nunes (dono do matadouro).

Ainda no início do século XX, o Prefeito Pereira Passos instalou no Porto de “Maria Angu”, uma ponte( a segunda da região), para as barcas da Cantareira atracarem. Ligando a Penha à Praça XV, com conexão para a Ilha do Governador.

 Os grandes aterros que ocorreram nesta área fizeram desaparecer toda a sua orla marítima e mais duas ilhas pequenas frequentadas por pescadores e alguns moradores a fim de namorar, essas ilhas tinham como nome como  Anel e Comprida. No lugar do litoral, foi aberta a avenida Brasil em 1947, na altura da Penha, seguindo a linha do mar. E o atual Complexo da Marinha, foram construídos a base de aterro, na metade dos anos 60, e seu término foi no fim dos anos 70, com a criação do mercado S. Sebastião.

A região nos periódicos antigos.









Para poder entender um pouco mais dos acontecimentos da região, realizei uma pesquisa em fontes primárias, ou seja, fui procurar reportagens em jornais de diversas épocas que poderia me passar informações mais precisas e curiosas sobre o local e olha, encontrei cada coisa bastante interessante, vamos ver?

A Praia de Maria Angú foi incluída no relatório de 1779 sobre a freguesia de São Thiago de Inhaúma, onde o mestre –de – campo Fernando Dias Paes Leme apresenta o local ao Marquês do Lavradio como um local que poderia ser usado para escoar os produtos produzidos pela zona rural, ou seja, pode ser uma data provável do início das atividades comerciais do local.
Foi verificado que o local era uma região que os negros fugitivos se dirigiram aos milhares, é bem provável que no local tenha até existido um pequeno Quilombo. Até seria uma justificativa para o nome Maria Angú ( como já relatei acima).

Reportagens do jornal do Commércio dos anos 30 apontam dois grandes problemas existentes no porto: Drogas e Pirataria. O problema com as drogas não é um problema tão atual assim, desde épocas remotas, as drogas vem assolando a população carioca e existe registro de que o porto era usado para desembarque delas, é bem provável que o poder público não fiscalizava como deveria. A pirataria também sempre se fez presente pela Baía de Guanabara, tudo que poderia ser roubado, os piratas agiam.  

Outra situação interessante é que o porto era usado para a chagada de romeiros para a igreja da Penha, muitas pessoas viam de outras localidades da província, como Magé, Caxias e centro do rio e utilizavam os serviços de barcas e que, aliás , também realizavam passeios marítimos para se conhecer os pontos mais importantes da baía de Guanabara. Um desses pontos eram as ilhas que ficavam perto da Ilha do Governador, ilhas essas históricas e cheias de lendas de tesouros e índios selvagens. Essas ilhas desapareceram nos anos 50 e deu origem a ilha do Fundão.

Também existe registro da chegada de escravos ( em documentos chamados de “homens de cor”) pelo pequeno porto, provavelmente para abastecer a mão-de-obra dos senhores das terras ao lado , como o Lobo Junior, O senhor Esteves( Bráz de Pina) e a fazenda dos Cordovil.

O Porto de Maria Angú anos mais tarde, em 1938, deu lugar a uma base naval  base naval para atender os Escoteiros do Mar.

O trem até Porto

A E.F. Rio D'Ouro teve um ramal que saindo de Vicente de Carvalho ia ao Porto de Maria Angu na Penha. Este ramal teve destaque no transporte de romeiros deste porto para a Igreja da Penha quando das festas de outubro, sendo este fato uma das marcantes presenças desta ferrovia na história da grande baixada de Irajá
.
O ramal da Penha foi construído em 1890 pela Inspetoria\ de Obras Publicas, saía do Porto de Maria Angu, que existia na Penha, e seguia até o encontro com a sua linha principal, em Vicente de Carvalho, nome de um antigo fazendeiro local, embora comumente confundido com o juiz e poeta paulista Vicente de Carvalho.

O porto de Maria Angu localizado na baía de Guanabara possuía uma ponte de madeira e recebia no início do século, principalmente na época da festa da Igreja da Penha, barcos de passageiros, inclusive da companhia Cantareira. Os passageiros transbordavam para o pequeno trem da Rio D'Ouro ou seguiam viagem em carro de boi até a Penha, meio de transporte corriqueiro nos subúrbios da cidade no início do século. Trajeto do ramal se desenvolvia ao longo da atual Avenida Vicente de Carvalho, Brás de Pina atravessando a E. F. do Norte, rumo a Maria Angu.
Praia de Maria Angú

Por aviso de 13 de Outubro de 1909, o Ministério da Viação, concedia a Leopoldina Railway à permissão de ligar a sua Linha  Norte a este Ramal.

















Ainda se tem registro de um início de favelização da região.

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Em janeiro de 1964, caminhões chegavam à Vila Kennedy, em Bangu, levando milhares de pessoas, vindas de diversas comunidades do Rio. Entre elas, os moradores da  extinta favela da Praia Maria Angu, na Zona da Leopoldina. Na época, tinha cerca de 7 000 habitantes —, e o mar já havia sido aterrado para a construção da Avenida Brasil. Antes, porém, o fotógrafo José Oiticica Filho (1906-1964), pai do artista plástico Hélio Oiticica (1937-1980), registrara a imagem da comunidade


Resultado de imagem para ramal maria angu x vicente de carvalhoObras do BRT Transcarioca revelaram os trilhos do velho Ramal.


 Resultado de imagem para porto maria angúfoto antiga da região










BIBLIOGRAFIA



http://www.trilhosdorio.com.br/forum/viewtopic.php?f=193&t=809

https://vejario.abril.com.br/cidades/foto-de-jose-oiticica-filho-retrata-extinta-favela-da-praia-maria-angu/

Página Um Coração Suburbano

www.flickr.com

viagensaorioantigo.blogspot.com.br

www.trilhosdorio.com.br

 Freguesias do Rio Antigo

Evolução Urbana da cidade de Rio

Ramos , Olaria e Penha



quinta-feira, 15 de março de 2018

Cordovil:
De fazenda Real ao bairro do subúrbio
             Da ascensão a decadência



Esse Artigo é ama homenagem a minha mãe que faleceu há quase dois anos, e como ela foi nascida e criada no bairro, está feita minha homenagem( novamente) a D. Linda!



Imaginem a época de Portugal medieval, cheia de árabes em suas terras, dividindo o país em dois literalmente.  A nobreza portuguesa teria que fazer algo para isso acabar, afinal, as terras era deles. Inúmeras batalhas aconteceram, e mais conhecida dessas foi a Batalha de Ceuta onde os portugueses venceram os árabes e conseqüentemente obtiveram suas terras. Essa vitória proporcionou que fosse realizada uma das situações mais importantes no “pequeno mundo” conhecido, saindo do medievalismo entrando na época moderna com seus pensadores influenciados pelo Renascimento, e a busca de novas rotas de comércio: as expansões marítimas (ou como alguns livros didáticos colocam Grandes navegações*). Foi devido a essa expansão que podermos ter registros de grandes famílias portuguesas, uns anos depois chegando ao novo mundo chamado primeiramente de terra de Santa Cruz e Logo depois Brasil , e uma dessas famílias de grande influência na corte portuguesa  veio parar no Brasil ,  onde  se instalaram em terras da fazenda de Irajá e exerceram sua influencia também  aqui  e teve  sua importância considerada em terras “brasilis”. Nesse segundo artigo vou abordar um pouco da História de um dos bairros mais novos do subúrbio carioca que nasceu como um bairro promissor e devido a muitos fatores, hoje  em dia, não passa de um bairro de classe media baixa , cercado de comunidades, mas tem que tem sua beleza em particular.

Palavras Chave: Portugal, Século XIV, Família, Colônia, Fazenda real, Guerra do Paraguai, Ferrovias, Dias de Hoje.


INTRODUÇÃO



Certa vez escutei de uma popular o seguinte sobre Cordovil de antigamente:
- Aqui era um lugar magnífico de se viver, tinha praia, segurança, um rio que se dava para pescar, hoje acabaram com o bairro!
                                                                               Popular de Cordovil
É com essa frase que eu gostaria de começar essa minha analise com o intuito de tentar mostrar aonde foi parar aquele bairro saudoso e promissor e o que levou a esse processo de decadência e violência que vivemos no século XXI. Eu como morador a 20 anos vou mostrar através da historia como uma fazenda  da nobreza portuguesa que era considerada importante em  Portugal se tornou uma localidade de violência e abandono. Como um dos bairros mais novos do município onde existe o rio Irajá que deságua na Baía de Guanabara onde nos anos 30 a 60 a população local tomava banho, pescava e por incrível que pareça ia até Madureira (segundo relatos),se tornou um rio completamente morto.




Foto da Passagem do trem por cima do Rio Irajá onde hoje está a passagem de nível. Reparem como
era a geografia do nosso rio .

















Mas como todo nome de bairro, Cordovil tem uma origem, um significado. Para muitos Cordovil era um nome relacionado à linguagem indígena, mas através de estudos e leituras foi descoberto que na verdade é o nome de uma poderosa e influente família de Portuguesa e vamos a partir de agora aprender sobre sua existência.


As Origens em Portugal


Ante de iniciar a contar as origens dessa família cabe ressaltar que a palavra Cordovil significa também uma variedade de azeitona portuguesa que foi citada no livro de Antonio Teixeira em Itinerário (cap. 29 pag. 409) sendo que a azeitona também é conhecida como “cordovesa”. O primeiro registro do nome cordovil aparecendo em documentos históricos é datada do ano de 1379(século XIV) uma carta direcionada ao Rei D Fernando onde aparecia o nome de dois irmãos o Lourenço Anes Cordovil e Gomes Anes Cordovil. Os irmãos segundo registro viviam em Setúbal e participavam ativamente da sociedade local, onde o que tudo indica era cavaleiros da ordem Real, onde pode se constatar que se tratavam de nobres .

Mas as origens da família ainda estão em profundas pesquisas para sua comprovação, mas de certo, é a carta Brasão concedida pelo Rei português D. João III Affonso Cordovil, e que a mesma esta datada do dia 2 de setembro de 1553. D. Affonso era Cavalheiro da Casa Real e da Ordem de Cristo, filho de Antonio Cordovil , cavalheiro Fidalgo , neto de Francisco Cordovil e bisneto de Lourenço Cordovil que também foi fidalgo. 
Houve uma importante batalha em terras portuguesas que proporcionou ao pela primeira vez a organização da nobreza portuguesa, o grande Mestre de avís D. João I(1385-1433) após a vitória na batalha de Aljubarrota no dia 14 de agosto de 1385, organizou sua corte, o que proporcionou uma nova nobreza, onde aparece já a família Cordovil atuando na batalha.


Cordovis no Brasil, uma família influente

Não se sabe ao certo quando a chegada da família no Brasil, mas segundo documentos históricos Bartolomeu de Sequeira, que era natural de Alvito, em Èvora , nascido em 1640, casou se com Nathalia Fróes que era moradora da mesma vila.Dessa união nasceu o dono das terras do Ofício de Provedor da Fazenda Real(bairro de Cordovil atualmente) Francisco Cordovil da Sequeira que foi casado cm Dona Maria Pacheco Ayró.
Dessa união nasceu Bartolomeu Cordovil, em Lisboa no ano de 1677,casou se no Rio de Janeiro no dia 19 de fevereiro de 1707 na capela do Engenho pertencente á noiva em Irajá , noiva essa Dona Margarida Pimenta de Mello.
O casal teve um filho, Francisco Cordovil de Sequeira e Mello, que desde dezembro de 1734, a pedido do pai, assumiu a administração da fazenda Real e com a morte do pai em 3 de janeiro de 1738 a propriedade do Ofício de Provedor da fazenda Real , conforme carta régia de 14 de março de 1743. Dede dessa época, a fazenda real era a maior em extensão dentre os treze engenhos existentes na freguesia de Irajá.
Bartolomeu foi o primeiro Cordovil de destaque em terras brasileiras, onde no Rio de Janeiro foi secretário do Governo da capitania em 1705, antes exerceu os cargos de soldado, cabo de esquadra, Sargento Superior e Alferes da Companhia do Mestre de Campo Jorge Lopes Afonso, na Capitania de Pernambuco.
O Dr. Francisco Cordovil de Sequeira e Mello, filho de Bartolomeu foi um dos homens mais importantes do Brasil colônia, pois alem do provedor da Fazenda Real, ele era Vedor da Gente de Guerra da Capitania do Rio de Janeiro. Francisco além do cargo de Provedor da Fazenda Real, foi ainda Provedor da Santa Casa de Misericórdia do Rio de janeiro, no período de 1760/ 1761, substituindo Gomes freire de Andrade. Francisco ainda foi irmão ministro da venerável Ordem de São Francisco da Penitência no período de 1746 a 1749.
Durante toda a existência da família, muitos Cordovis contribuíram de alguma forma com o Império (também tiveram atuação destacada na República), sendo uma família de extrema importância , muitos deles cresceram, estudaram em Coimbra, tiveram cargos no governo e se tornaram influentes.



O Maior dos Cordovil: Herói Nacional, seu nome é Maurity

Filho de uma união Jacob Maria Maurity e Joaquina Eulália Cordovil Maurity, o futuro Almirante Joaquim Antônio Cordovil Maurity nasceu no dia 13 de Janeiro de 1844 e já desde cedo mostraria uma talento nato para liderança e se destacou devido a isso. Joaquim foi o aluno numero um de sua turma na Escola Naval, foi promovido a Guarda marinha em 1860 aos  anos e tenente por bravura em 1867 e ascendeu a Almirante em 1903 participou ativamente e bravamente na Guerra do Paraguay nos combates de Itapuru, Passo da Pátria curuzu, Curupaiti , Angustura e Humaitá a mais famosas delas e foi no Humaitá , que é considerada um marco na marinha brasileira, onde Cordovil se destacou ajudando  a esquadra brasileira  vitória e onde lhe rendeu homenagens inclusive do Visconde de Ouro Preto, que o citou em sua obra “A Marinha de Outrora”. Cordovil recebeu homenagens e sitaçoes de Visconde de Inhaúma, Eneas lintz em seu livro “Ultimos dias do Humaitá ”(Rio 1918) e Garcia Júnior, no seu trabalho “Divisas e Bordados”(Rio 1938).
Depois da brilhante passagem na guerra, continuou mostrando a tradição de influencia da família  perante o governo brasileiro. Em 1889 foi o escolhido para representar o Brasil em Washington, no Congresso Nacional dos Marítimos. O Almirante ainda chefiou a Comissão Brasileira na Exposição Colombiana em Chicago. Mesmo depois da queda do Império manteve sua importância e permaneceu ao lado dos republicanos o que lhe rendeu uma viagem a Europa para acompanhar a construção de um navio para a Armada brasileira, chegando a ser Chefe do Estado Maior da Armada Brasileira.
Uma vida intensa, cheia de honrarias, seu corpo desgastado com o tempo de luta veio a falecer em sua casa na Rua Haddock Lobo n 135 e sepultado no cemitério São Francisco Xavier. Foi casada com a Dona Lúcia Brett Maurity e tiveram seis filhos, vários jornais da época destacaram sua morte e renderam várias homenagens ao herói e patriota. Maurity tem seu nome citado quase todos os dias nos jornais da época, por seu um homem de destaque das forças armadas e muito influente, inclusive com encontros com Pedro II e com presidentes da República.
O jornal Annuário das Estações Esportivas cita que o Presidente Affonso Pena chegava ao local onde estavam diversas autoridades, incluindo em destaque, o velho Almirante. O jornal “A Ilustração Brasileira” dedica uma página inteira para homenagear seus feitos na guerra do Paraguai, descrevendo detalhe por detalhe o que o fez herói.  



Cigarro em homenagem ao herói .

Foto do Sempre militar !



















O Bairro Nasce!

Como se deu o processo de transformação da fazenda Real no bairro? Para começar o nome do bairro foi uma homenagem a família que por quase dois séculos tinha a fazenda nessas terras. A pedido do Imperador D. Pedro II foi construída a linha férrea que era para fazer a ligação entre o centro da cidade a Petrópolis para levar a família real até a cidade imperial, a parada em Cordovil, ou o que seria a futura estação foi inaugurada no dia 23 de outubro de 1886. Em 1902 a família  Cordovil vendeu as terras para Visconde de Moraes, que o loteou a partir de 1912 . Para alguns pesquisadores o bairro nasceria oficialmente com a inauguração da estação em 5 de outubro de 1910 e reconhecido por projeto de lei número 989/2002, da vereadora Rosa Fernandes que nada mais é que uma vereadora que aparece apenas em época de eleição , faz meia dúzia de obras para pedir fotos, não tem ligação nenhuma com o bairro.
As terras foram vendidas em 1902 pela necessidade de um uso regular do trem que poderia servir de transporte, já que nunca existiram os famosos bondes em Cordovil, com o propósito de levar a família real para Petrópolis, na republica poderia ser um meio de transporte, pelo lucro da empresa que assumiu a organização dos trens( E. F. Leopoldina 1886-1975),
  houve a necessidade do loteamento do bairro.

Curiosidades: Há anos todos os moradores de Cordovil andam pela estrada do porto velho sem saber por que do nome ou suas origens. A estrada do Porto velho nada mais era no período Colonial uma estrada que lavava ao porto que tinha no final do caminho (atualmente mercado São Sebastião). A função desse porto era embarcar carne bovina e exportá-la para a cidade. Os Monges Beneditinos atravessava quase o Rio de Janeiro inteiro trazendo dezenas de bois para esse porto, ele saiam da onde conhecemos atualmente a Barra da Tijuca( era uma fazenda que pertencia ao Beneditino) através da estrada que já no século XX seria conhecida como Estrada dos Bandeirantes. Os monges matavam os bois na beira do Rio e deixavam escoar o sangue elo rio. Também a estrada, com a criação da freguesia de Irajá, passou a ser a principal via de acesso para o Porto de Irajá, a estrada vazia ligação direta com a estrada do Quitungo, que era a estrada usada para quem vinha da região da igreja do Irajá.
O bairro a apresentava nas  décadas de 20 a 60, um crescimento populacional considerável, mais consegui preservar seu ar de bairro do interior, belas casas, os moradores com um bom convívio, o Rio Irajá era bastante usado para banhos em família, pesca de peixes e alguns antigos moradores  dizem que se chegava em Madureira pelo rio, os moradores colocavam pequenas embarcações e conseguiam ir remando até Madureira, pois esse rio tem sua nascente na serra de Madureira. Mas esse quadro de tranqüilidade veio a mudar a partir do início dos anos 70 e vamos ver isso agora.



A luta de um povo nasce a Cidade Alta

Antes de fazer o registro na criação da cidade Alta, tenho que voltar um pouco no tempo e mostrar a todos da onde vieram todas as pessoas e por que foram parar ali. As pessoas com mais de 60 anos já ouviram falar da Praia do Pinto, em Ipanema onde ficava a comunidade do Pinto. Essa favela foi criada por volta de 1910 por pescadores e operários que trabalharam na construção do Jóquei Clube do Brasil, que receberam permissão do governo ( prestem bem atenção nisso) para residir no local e seu primeiro morador chegou no ano de 1913.Anos depois, uma reportagem do Jornal do Brasil   feita a um dos  moradores mais antigos, constatou que a comunidade que estava em formada na época da desocupação foi a união de três outras pequenas comunidades , Praia do Meio, Praia-Mar e Favela da Lagoa, essa se impondo em numero de moradores sobre as outras, e por ser oriunda da Lagoa Rodrigo de Freitas, era comum dizer que a lagoa era a “praia” onde os pintos tomavam banho para se refrescar que também fico conhecida como Praia dos Pintos(“Praia do Pinto acaba e deixa Ipanema que ajudou a construir” Jornal do Brasil, 11/05/1969).

Os anos estavam se passando, o crescimento da Favela do Pinto estava  cada vez mais perceptível , e foi facilitado pela linha de bondes que na época, chegou ao subúrbio do Leblon (que também estava crescendo) onde estava a comunidade. Esses moradores ajudaram muito no crescimento tanto do Leblon tanto de Ipanema, ajudaram com usa mão-de-obra na construção de prédios e da infra-estrutura urbana como o sistema de esgoto.

Por volta dos anos 60, se iniciou um grande programa de remoção do Rio,a maior já realizada , o órgão responsável por essas remoções foi o CHISAM- Coordenação de Habitação de Interesse Social da Área Metropolitana- autarquia do governo federal em conjunto com o Governo da Guanabara removeu 175 mil moradores de 62 favelas, transferindo essas pessoas para 35.517 unidades habitacionais , chamados de conjuntos, localizadas na Zona norte e Oeste como Cidade Alta, Quitungo, Guaporé e Cidade de Deus. A Justificativa do governo para a remoção era para socializar a família favelada , transformar de família invasora para família dona de sua terra, de sua casa .

 “…invasora de propriedades alheias _ com todas as características de
marginalização e insegurança que a cercam_ em titular de casa própria. Como conseqüência,
chegar-se-ia à total integração dessas famílias na comunidade, principalmente no que se
refere à forma de habitar, pensar e viver.”(CHISAM, 1971: 16).

Mas, vamos voltar um pouco o texto , lembra que eu escrevi que o governo autorizou a instalação deles no local? Então onde essas pessoas estavam não era terras invadidas, eram terras doadas pelo próprio governo e que essas pessoas pagaram por esse pedaço de chão com seu suor e trabalho.
Segundo o Governo da época, esses conjuntos habitacionais construiria um novo tipo de cidadão, um cidadão não favelizado e integrado com a sociedade, pagador de impostos, incorporado ao sistema , respeitador das leis e com bons hábitos( como se moradores de favelas não tivessem)  e tinham de denegrir a imagem da favela, transformar a comunidade em um lugar ruim de viver.

O ambiente é sem dúvida desfavorável. (…) É difícil, senão extremamente
impossível, recuperar homens, mulheres e crianças em ambiente como o das favelas. Pelo que
optamos pelo árduo, mas frutífero, trabalho de erradicação.” (CHISAM, 1971: 31).

Então no dia 23 de março de 1969 se iniciou o processo de remoção das famílias para os conjuntos habitacionais, na manhã desse dia as famílias deveriam já estar prontas com suas coisas e pertences arrumados, que os funcionários da CHISAM e os assistentes da Secretaria de Serviços Sociais ajudariam no processo de remoção, mas claro que também estavam as tropas da polícia Civil e Militar para combater qualquer tipo de protestos, re- ocupação e roubos, além de imprensa e curiosos. Já nesse dia desde cedo, a mando da CHISAM , nenhuma casa da favela tinha luz ou água. 

O Departamento de Limpeza Urbana (DLU) ficou responsável em derrubar as casas e limpar o terreno e deixa limpo para novo uso. Depois de 5 dias , a Cidade Alta estava recebendo seus primeiros moradores e teve data de inauguração dia 28 de março de 1969.

Bem, o governo colocou todo aquele povo na cidade alta, arrumados nos prédios com água e luz, mais como sempre, não se preocupou com uma parcela da população que chegava do nordeste e/ou simplesmente perderá sua habitação devido a esses programas do governo. Se iniciou uma imigração para a Cidade Alta e a construção de barracos, não houve qualquer controle por parte do governo, o que ocasionou ligação clandestina de luz e o que contribuiu para matar o Rio Irajá, a ligação clandestina de água e o despejo de resíduos humanos no rio , ao passar  dos anos o Rio que era limpo , foi morrendo, claro não foi só culpa da cidade alta, mais também de todas as comunidades que o cercam desde Madureira.


Lembrança de um Cordovil Charmoso!

Entrevista com a Senhora Lindamarival Certo Toste, nascida dia 16/11/1948, Criada desde pequena em Cordovil, foi constatado um Cordovil antigo, charmosos com parques de diversão, carnavais marcantes, fábricas, etc... Um Bairro em crescimentos que tinha tudo para ser um bairro do subúrbio, mas como exemplos de Vista Alegre e Vila da Penha, um bairro bom, aliás, melhor de se morar! Esses relatos são totalmente verdadeiros e vocês iram conhecer o que era Cordovil numa época que não vota mais.

A linha de trem na  década de 60 já era toda murada para evitar acidentes, a estação não é no mesmo local de hoje, a pequena plataforma era um pouco mais para o lado de Lucas onde existia uma cancela para passagem de pedestres e Carros. Essa cancela não existe mais, sua localização é onde atualmente em frente a loja de máquina de costura. Já tivemos algumas fábricas de grande porte como a Fábrica de ônibus da Cifferal , Tintas Cordovil e Bioquímica, todas localizadas na Rua Antonio João. Atualmente existe um posto de gasolina, mas a muito tempo atrás ,no lugar desse posto tinha um parque de diversões onde o povo brincava todos os dias;

O morro aonde os prédios do governo foram construídos para abrigar a população da comunidade de Ipanema era apenas barro e mato e toda vez que chovia se formava um lago natural onde os moradores se deliciavam tomando banho e fazendo de piscina e há relatos que havia caminhões subiam ate lá para pegar água, possivelmente existia uma cachoeira ou um córrego que descia La de cima do morro;

Ainda nesse tempo existia a praia da moreninha, aonde a comunidade se reunia para pegar sol e se divertir;

No início da Porto Velho hoje em dia vemos a escola Roraima, o Clube Cordovilhense e uma pequena comunidade, mas em 1960 existia no local um campo de futebol que pertencia a o Clube Vasquinho, um time criado pelos moradores, possivelmente em homenagem ao time do Vasco;
O Rio Irajá não tinha esse tamanho todo em sua margem, ele era bem mais estreito , o que proporcionava toda vez que chovia , transbordava de tal maneira que inundava quase todo o bairro;
Aonde vemos hoje uma loja de construção e fábrica de materiais, era antigamente um consultório médico;

Não existia ônibus na porto velho, as pessoas deveriam atravessar a linha do trem pra poder se locomover para outras regiões, apenas depois do aparecimento da cidade alta que introduziram uma linha de ônibus que fazia o trajeto Cordovil x Tiradentes (Atualmente 335);
A Rua ferreira franca mudou de nome para Rua Laércio Mauricio da Fonseca, pois ele era um fiscal das feiras  e policial que residia rua , como era um cara muito conhecido, em sua homenagem depois de morto,  batizaram a rua .Ali passava uma linha de ônibus Penha x Lucas;
Cordovil já teve famosos ilustres morando aqui como Wagner Paula Pinto (Radialista) e Wanderlèia(Cantora) .

O Carnaval em Cordovil tem sua tradição, quem Organizava era o senhor. Oswaldo Bonavita , ele fechava a Porto Velho , arrumava tudo, colocava coretos feitos por ele,enfeitava  rua ,contratava bandas e artistas, fazia concursos. Morava na Paulo Bregário atrás da farmácia do seu Lima, ao lado da casa da Wanderlèia;

A rua que leva ate Brás de pina, o lado da Igreja Santa Cecília era deserto e perigoso, mas era comum os casais, irem para namorar e a rua ficou conhecido como rua do pecado.


Figura 4Aqui existia uma escola


Conclusão

Uma terra mal habitada por habitantes pré- colônias, de lugar de praias e um porto a fazenda de uma família poderosa, de venda das terras a um bairro suburbano abandonado pelos poderes governamentais. Cordovil teve seu momento próspero, teve seu momento bairro bom e nobre,mas a violência, o descaso das autoridades e a falta de cuidado de sua própria população , nos dias de hoje não passa apenas de um bairro de baixa renda, de grande maioria de pessoas pobres, mais muito boas de coração e capazes de levantar cedo para pegar o trem e o ônibus para ir trabalhar. Parabéns Cordovil , tú es um bairro querido e amado e quem mora tem orgulho de dizer, morro em Cordovil.



 Time de futebol do bairro
Fábrica que focava na rua Antonio João






















Bibliografia

Pires Cordovil,W.F.Cordovil : Suas origens , a família. O bairro. 1.ed. Rio de Janeiro:True produção e Designs,2000.

Artigo “MEMÓRIAS DA REMOÇÃO: O INCÊNDIO DA PRAIA DO PINTO E A 'CULPA'”
DO GOVERNO
Mario Sergio Brum*

WWW.memoria.bn.br


quarta-feira, 13 de setembro de 2017

O Gêneses carioca: Vamos viajar por Ramos



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È de suma importância estudar nossas origens a fim de dar valor a nossos bairros. O processo de melhoramento de uma localidade passa pelo amor de sua população, pelo reconhecimento de sua história.
Já passamos por Bráz de Pina e Cordovil, hoje vamos viajar por Ramos, um bairro pioneiro do samba, lugar de artistas, de famílias influentes e de uma praia já chamada “ Copacabana do subúrbio “.
Vamos entender como a terra dos índios Tamoios se transformou no belo bairro nos dias de hoje.

Voltando ao passado: A história do Engenho

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Teve importante papel na economia da cidade, com a larga escala de sua atividade açucareira e lavouras de subsistência para o mercado interno. Havia ali uma grande pedra explorada como pedreira, já desaparecida. As terras da Fazenda do Engenho da Pedra abrangiam os atuais bairros de Olaria, Ramos, Bonsucesso e parte de Manguinhos, ocupando a maior faixa do chamado “Mar de Inhaúma”, situado entre o porto de Maria Angu próximo à Penha e à Ponta do Caju, correspondente hoje em grande parte à região da Maré. Na atual Praia de Ramos desembocava a Estrada Velha do Engenho da Pedra.

Voltaremos ao ano de 1613, quando nesse ano foi fundada a Fazenda do Engenho  de Santo Antônio da Pedra com sede no terreno aonde hoje é a Avenida Brigadeiro Trompowsky até o Iate Clube de Ramos. Provavelmente era um engenho de açúcar e usava escravos para o trabalho (ainda em pesquisa). Quem adquiriu as terras foi à família Souto Mayor.

Cem anos depois, em 1713, a fazenda foi dividida em duas, onde se deu a origem a fazenda do Engenho da Pedra e a  de Nossa Senhora de  Bonsucesso .  A de Nossa Senhora de Bonsucesso foi adquirida por Francisco Luiz Porto, casado com Cecília Vieira de Bom sucesso, que mandou construir uma pequena capela de madeira, a de Nossa Senhora de Bonsucesso, no porto de Inhaúma, atual acesso a linha amarela.

Em 1792 as fazendas foram reunificadas pelo Sargento mor José Dias de Oliveira, avô de Leonor Mascarenhas de Moraes. Com o passar do tempo, a produção de cana de açúcar foi sendo substituída pela de café.

Toda essa região pertencia a sesmaria de Inhaúma e se estendia pelos bairros de Manguinhos, Bonsucesso , Ramos e Penha, antes pertencentes a freguesia de Irajá, criada em 1644, porém em 27 de janeiro de 1743 foi desmembrada dessa freguesia , dando origem a Freguesia de Inhaúma. Essa freguesia tem como nome original Freguesia de São Tiago de Inhaúma, teve como primeiro proprietário o vigário – geral Clemente Martins de Matos, por doação feita pelo padre Custódio Coelho em 1684.

O Vale de Inhaúma tinha extensa terra fértil, totalmente povoada e elaborada pelos padres jesuítas com ajuda forçada dos escravos. Depois da expulsão da Companhia de Jesus, as terras foram confiscadas e repassadas.

No século XIX( algumas biografias dizem no meio do século e outras no final ), a fazenda de Nossa Senhora do Bonsucesso chegava nas mãos de Leonor Mascarenhas de Oliveira, que solteira, deixou treze lotes em testamento , a serem divididos entre seus parentes e amigos.
Ao seu filho de criação, o Padre David Semeão ,” preto de boa criação”, coube a casa, a capela de Santo Antônio de Lisboa e a fábrica de aguardente da fazenda do Engenho da Pedra. Outro lote foi para o Doutor João Torquato de Oliveira, formado em medicina, era filho da escrava Delfina, herdou a casa da fazenda Nossa Senhora de Bonsucesso, região que hoje forma o centro de Ramos e Bonsucesso. Os outros onze herdeiros ganharam terras entre o Engenho da Pedra e o Porto de Mariaangu.

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Porto Maria Angu




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Praia Maria Angu


Em 1870, a viúva de Torquato, a Irlandesa Francisca Hayden , vendeu algumas de suas terras ao capitão José Fonseca Ramos , secretário da Academia militar da Corte, um homem poderoso e de influência.  A fazenda dos Bambus foi adquirida pelo capitão e foi o começo do nascimento do bairro de Ramos.

Os descendentes do velho capitão tiveram a ideia de começar a urbanizar a fazenda, transformar o local num lugar de residência, isso foi muito impulsionada pela passagem da linha de trem da Estrada de Ferro do Norte, futura Leopoldina.  A companhia fez um acordo com o capitão , pedido autorização para passar com a estrada de ferro( era um costume da empresa ), então ele solicitou uma parada para sua família ser beneficiada pela novidade tecnológica, foi ai que nasceu a parada Ramos.
Pouco depois a fazenda foi vendida para o português Teixeira Ribeiro, que foi casada com a filha do Torquato. Ele e seu filho, João Teixeira Ribeiro Junior lotearam as terras e começaram a abrir ruas, viram isso como um bom momento de adquirir um bom dinheiro, já que  cidade estava se expandido para antiga zona rural. Essas ruas foram abertas sem água encanada e nem luz, porém foi o começo da urbanização.O bairro adotou o nome da parada do trem e as primeiras ruas foram abertas :

1-      Uranos
2-      Professor Lacê
3-      Aureliano Lessa
4-      Euclides Farias
5-      Roberto Silva
6-      Teixeira Franco

Nessas ruas forma surgindo s primeiros casarões, onde famílias com suas pequenas chácaras habitavam esse local novo. Na Rua Professor Lacê surgi a primeira escola da Região , hoje a Escola Padre Manuel de Nóbrega. Abrindo um parêntese bem interessante sobre esse colégio. Em 1900, a professora Leopoldina Rêgo, da família dos Regô, donos das terras de parte de Ramos e Olaria, junto com seu marido João Alfredo do Amaral, abriram as salas da frente de sua linda residência para o funcionamento de uma escola, Leopoldina era neta de uma dos primeiros moradores da região, José Francisco Ferreira Rêgo, e foi uma das primeiras professoras do bairro. Em 1914, a prefeitura comprou o imóvel e abriu uma escola, a escola Paraguai, hoje Padre Manuel de Nobrega. O primeiro diretor foi Rodolfo Lacê (que daria o nome a rua) e Leopoldina trabalhou como professora no local.Ela alfabetizou tantas pessoas que ganhou em homenagem o nome de uma rua, rua essa que liga de ponta a ponta Ramos e Olaria.

Outro Personagem significativo de Ramos foi João José Batista, popularmente conhecido como “Andorinha”, caixeiro- viajante da Fábrica de Tecidos Andorinhas. Essa atividade fez com que ele  acumula-se uma fortuna, já que o Brasil , no começo do século XX, viviam basicamente do café e da produção Textil. Batista construiu a primeira mansão de Ramos, sua casa, onde hoje está o Sesc de Ramos  EM sua residência , constantemente eram feitas reuniões de kardecistas, que atraia grande público. Todas as casas construídas a mando do Andorinhas tem em sua faixada adornadas com duas andorinhas, e até hoje ainda resiste algumas dessas residências.

Por volta de 1910, parte das terras ainda virgens do Padre Semeão, chegaram as mãos do coronel Joaquim Vieira  Ferreira, membro ativo de uma ilustre família de médicos , advogados e militares. Ele foi o fundador do periódico Cosmopolita que circulou entre 1912 a 1917 e tinha sede na rua  do Ouvidor. Nessas mesmas terras , o coronel fundou a Vila Gérson , nome em homenagem a seu primogênito , falecido ainda jovem. Junto com sua esposa , Ruth Ferreira ( nome de rua ) fundaram ali a Escola Gérson , em 1911. A escola oferecia vários cursos para crianças carentes da região

“De Olaria chegamos a Ramos, reduto também de Guimbaustrilho e, principalmente, da Imperatriz. Salve Ramos, terra de Bala Ruth”
Nei Lopes

Ramos Atual ...

Bairro da Zona da Leopoldina( subúrbio), na Zona Norte da cidade do Rio de Janeiro,é um bairro carioca tradicional e um dos principais redutos do samba e chorinho carioca, terra onde Pixinguinha ficava  .Faz limite com os bairros Olaria, Complexo do Alemão, Bonsucesso e Complexo da Maré na Avenida Brasil. Seu IDH, no ano 2000, era de 0,857, o 47º melhor da cidade do Rio de Janeiro.



Pontos turísticos de Ramos
Estação trem



"Ninguém sabia porque Ramos assim se chamava. Como eu trabalhava na Prefeitura, fiz a pesquisa. Resultado: tive as maiores decepções até descobrir a quem pertenciam as terras da estação de trem. Estas pertenciam à família Fonseca Ramos, que cedeu uma faixa para colocar o trem, em 1886, mas com a condição de fazer uma estação para a família quando essa viesse passar o fim de semana no sítio. Antes, era de São Francisco Xavier direto até a Penha. A inauguração da estação de Ramos foi em 23 de outubro de 1886" (João Gonçalves de Lima Filho e Bete Silva, 2004).
Em 1986, a locomotiva Pacific 327 a vapor comemorou os 100 anos da estação e do bairro.

Marco Inaugural da Antiga Rio- Petropolis

Fica no quilometro 3 da rua Uranos, quase em frente a rua Senador Mourão Vieira. As ruas da Leopoldina eram caminho obrigatório para quem ia a Petrópolis. Com a abertura da Avenida Brasil em 1946, a Rua Uranos deixou de ser parte do trajeto de subida da serra.

Colégio Cardeal Leme

O nome do colégio é uma homenagem ao clérigo católico Sebastião Leme de Oliveira Cintra(1882-1942), que foi elevado a cardeal pelo Papa Pio XI, em 1930, e assumiu logo depois a arquidiocese do Rio de Janeiro. O colégio foi fundado nos anos 20, graças a iniciativa da família Mourão Vieira, um de seus filhos, o Antonio Mourão Vieira Filho era educador e se tornou um politico influente da região , sendo três vezes vereador.

Social Ramos Clube

Localizado no antigo Sítio dos Bambus, foi inicialmente o Centro Progressista e Social de Ramos, fundado por comerciantes locais que decidiram transforma-lo em um clube recreativo. As atividades começaram em 1947.

Imperatriz Leopoldinense

A fundação da escola de Samba foi no dia 6 de março de 1959, com as cores verde e branco. A escola surgiu na dissidência do bloco Recreio de Ramos. Seu crescimento foi rápido e, desde 1965 está entre as grandes do carnaval. O nome foi uma homenagem a todos os bairros servidos pelo trem da linha Leopoldina.

Cacique de Ramos

1961- reunião de amigo em Ramos, surge o Cacique de Ramos, sendo fundado pelos irmãos Bira, Ubirany e Ubiracy, e os amigos Walter Tesouriha e Aymoré do Espírito Santo





Bibliografia

Freguesias do Rio Antigo
Evolução Urbana da cidade de Rio
Ramos , Olaria e Penha
diariodorio.com

http://camposelima.blogspot.com.br/2010/12/o-bairro-de-ramos.html

domingo, 6 de agosto de 2017




Um Homem chamado Mohammah Baquaqua

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Um país construído pelas mãos de seres humanos escravizados não pode se dar ao luxo de esquecer sua memória racista, suas atrocidades sobre uma determinada etnia. A escravidão negra representa uma enorme mancha na história brasileira.

Historiadores debatem todos os anos sobre quantos escravos entraram no Brasil durante mais de 300 anos, uns falam em 10 milhões, outros em mais ou menos, mais o que realmente importa é demostrar um pouco do sofrimento de nossos ancestrais que foram retirados de suas terras, de suas culturas e de suas famílias, para serem trazidos a milhares de quilômetros de distância de sua terra natal para morrer como simples produtos.

Ao chegar a terra de Santa Cruz, os lusitanos tentaram escravizar os índios, porém os mesmos não aguentavam o nível de trabalho , pois a sua vida era baseada na subsistência e o uso de recursos naturais, um trabalho compulsório seria algo sacrificante e que eles jamais aguentariam , e isso se viu nos anos a seguir.

O negro tinha e tem um porte físico privilegiado, sua condição de vida extrema na África o transformava em um homem de porte físico avantajado e resistente, perfeito para o trabalho com a cana de açúcar.

O colonizador tinha pleno conhecimento da capacidade e da habilidade do negro, principalmente por sua rentável utilização na atividade açucareira nas ilhas do Atlântico. Muitos desses seres humanos proviam de reinos que trabalhavam com ferro e gado, então sua capacidade produtiva era bem superior a indígena.

Mas o negro jamais aceitou essa condição imposta. Já nos navios, a resistência já se mostrava. Casos de suicídio eram bem comuns , quando chegavam a terras tupiniquins , tentava de todas as maneiras empreenderem fugas, criavam Quilombos e se protegiam dos seus inimigos.

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Mais nesse artigo não vamos retratar sobre a escravidão no geral, mais sim de um homem que foi retirado de sua vida, escravizado, que conseguiu fugir e foi para terras americanas, mais ele tinha uma particularidade: Ele sabia ler e escrever e escreveu uma bibliografia, a única escrita por um ex-escravo, o único que deixou  o registro de seus sofrimento, seu nome era Baquaqua.

Nascido livre na Àfrica desfrutava de uma vida de liberdade, apesar do reino onde ele morava estar constantemente em guerra, mais essa era sua única preocupação. Mohammah Gardo Baquaqua nasceu no território hostil entre 1820 e 1830, no reino de Zooggoo na África Central, Reino tributário do reino de Bergoo, localidade chamada Djougou( atual Benim) e sua família era de origem muçulmana .

Filho de comerciantes,  estudou em uma escola de ensino islâmico , e como é tradicional da religião , adquiriu conhecimentos seculares que o ajudaria em sua vida, além de estudar o livro da religião( O Corão), teve acesso a ensinamentos de literatura e matemática.

Baquaqua se tornou um habilidoso comerciante e atuou entre o Caifado de Socoto e o extinto  império Ashante, reino esse que possuía um tráfico intenso de escravos.
(califado: Jurisdição  no direito muçulmano, conjunto de princípios seguidos por chefes políticos e religiosos após a morte de Maomé c570-632.Dignidade ou jurisdição ('poder') de califa.)
Mas essa profissão o levaria a sua desgraça pessoal. Como eu escrevi acima, a região vivia numa constante guerra, região bastante tensa, e um dia, enquanto ele vendia grãos, foi preso e feito de escravo.
Seu irmão acabou comprando ele e lhe devolvendo a liberdade, mas pouco tempo depois ele foi preso e feito de escravo novamente, pois ele tentou roubar e ingerir bebida  alcoólica , perto da sua cidade Dijougou, e essa atitude é considerado um pecado mortal pela religião Islâmica. Agora como escravo , foi vendido e enviado ao Brasil a bordo de um Tumbeiro ( Navio Negreiro ) , e ele descreve em sua bibliografia o terror desse navio:

“Que aqueles indivíduos humanitários, que são a favor da escravidão, coloquem-se no lugar do escravo no porão barulhento de um navio negreiro, apenas por uma viagem da África a América, sem sequer experimentarem mais que isso dos horrores da escravidão; se não saírem abolicionistas convictos, então não tenho mais nada a dizer a favor da abolição”. Mahommah G. Baquaqua, 1854.

Um relato de Baquaqua
“Escravos vindos de todas as partes do território estavam ali e foram embarcados. O primeiro barco alcançou o navio em segurança, apesar do vento forte e do mar agitado; o próximo a se aventurar, porém, emborcou e todos se afogaram, com exceção de um homem. Ao todo, trinta pessoas morreram”. (BAQUAQUA).

Dentro do Navio, uma imagem que seria marcada para toda vida.
“Fomos arremessados, nus, porão adentro, os homens apinhados de lado e as mulheres do outro. O porão era tão baixo que não podíamos ficar em pé, éramos obrigados a nos agachar ou a sentar no chão. Noite e dia eram iguais para nós, o sono nos sendo negado devido ao confinamento de nossos corpos. Ficamos desesperados com o sofrimento e a fadiga”.
“A única comida que tivemos durante a viagem foi milho velho cozido. Não posso dizer quanto tempo ficamos confinados assim, mas pareceu ser muito tempo. Sofríamos muito por falta de água, que nos era negada na medida das necessidades. Um quartilho por dia era tudo que nos permitiam e nada mais”.
“Quando qualquer um de nós se tornava rebelde, sua carne era cortada com uma faca e o corte esfregado com pimenta e vinagre para torná-lo pacifico (!)”.
“Alguns foram jogados ao mar antes que o último suspiro exalasse de seus corpos quando supunham que alguém não iria sobreviver, eram assim que se livravam dele”.

Baquaqua depois de cerca de 30 dias de viagem nestas péssimas condições, acabou chegando à província de Pernambuco no Império do Brasil por volta de 1845. Cinco anos depois, o imperador D. Pedro II, declararia o fim do tráfico de escravos no Atlântico, ou seja, ele chega na condição de escravo ilegal , isso só reforça a ideia que o tráfico de escravos continuou mesmo depois de sua proibição , o mercado negro continuava intenso.

 Baquaqua permaneceu em um mercado de escravos na costa, por um ou dois dias, até ser vendido para um mercador que por sua vez o vendera em um mercado na cidade do Recife. Lá um padeiro o comprou. Este vivia no interior, mas Baquaqua não especifica onde exatamente, ele apenas disse que não ficava distante de Pernambuco.



Terminada a construção da casa, Baquaqua passou a trabalhar como vendedor de pão. Era o responsável por vender o pão de porta em porta ou às vezes ficava na padaria mesmo. Mas quando não conseguia vender tudo, às vezes era chicoteado para aprender a vender tudo na próxima vez. Ele também relata que os outros escravos eram dados a indisciplina e eram beberrões. Gastavam o pouco dinheiro que conseguiam comprando cachaça. Logo, o próprio Baquaqua acabou se juntando aos seus amigos.

“Assim, um dia, quando me mandaram vender pão como de costume, vendi apenas uma pequena quantia e, com o dinheiro que recebi comprei uísque e bebi a vontade, voltando para casa bastante embriagado. Quando fui fazer as contas da diária, meu senhor pegou minha cesta e, descobrindo o estado em que as coisas estavam, fui muito severamente espancado. Eu disse a ele que não deveria mais me açoitar e fiquei com tanta raiva que me veio a ideia de matá-lo e, em seguida, suicidar-me”. (BAQUAQUA).

Baquaqua passou a entrar no vício do álcool por que considerava uma forma de atenuar a dura e miserável vida de escravo que levava. Quando era muçulmano, não podia beber porque a religião islâmica proíbe os fiéis o consumo de bebidas alcoólicas, mas agora que era cristão, isso não era proibido totalmente. (no cristianismo condena-se a embriaguez como um estado derivado do ato do pecado da gula, nesse caso, beber em demasia).

Após ter sido espancado pelo seu senhor, ele foi liberado. Ainda com dor e pulsante de raiva, Baquaqua disse que naquele momento tentou cometer suicídio. Ele correu até o rio ali perto e se jogou em suas águas, porém algumas pessoas que estavam num barco viram que ele se afogava e o salvaram. Depois disso ele não tentou se afogar novamente.

Depois de toda esta rebeldia o padeiro o levou para a cidade e o vendeu para um mercador de escravos. Baquaqua passou alguns dias em posse desse mercador até ser vendido para um fazendeiro, o qual ele dizia ser muito cruel. No dia que fora comprado, o fazendeiro também comprou duas mulheres, sendo uma jovem e bonita, essa serviria como concubina para o fazendeiro. Ele passou algumas semanas trabalhando para o fazendeiro até que o mesmo o vendeu para um navio negreiro que seguia para o Rio de Janeiro. Lá, ele passou duas semanas, até ser vendido a um capitão de navio.
Baquaqua relata que este capitão até foi mais condizente com ele, e não o maltratava tanto, porém sua esposa,era uma mulher cruel. Enquanto trabalhava no navio logo fora reconhecido por seu esforço e foi promovido  segundo camareiro. Pouco tempo depois ele se tornou o primeiro camareiro.

“Fiz tudo que estava em meu alcance para agradar meu senhor, o capitão, e ele, por sua vez, depositou confiança em mim”. (BAQUAQUA)

Ele passou um bom tempo trabalhando naquele navio. Até que um dia, o seu capitão foi incumbido por um mercador inglês de transportar em seu navio algumas sacas de café para Nova Iorque. Baquaqua e outros escravos seguiriam viagem para os Estados Unidos.
“Tínhamos aprendido que em Nova Iorque não havia escravidão, que era um país livre e que, uma vez ali, nada tínhamos a temer de nossos cruéis senhores e estávamos muito ansiosos para chegar lá”. (BAQUAQUA).

Baquaqua na época desconhecia o fato de que nos Estados Unidos havia escravidão, mas esta era mais intensa e agressiva nos estados do sul. Em Nova Iorque havia escravidão, mas de forma mais moderada. A abolição nos Estados Unidos foi apenas decretada em 1865 pelo presidente Abraham Lincoln, após o término da Guerra Civil Americana (1861-1865).
Abordo do navio inglês ele conheceu um marinheiro que falava um pouco de inglês. A primeira palavra em inglês que Baquaqua e seus amigos aprenderam foi free (livre). À medida que atravessavam o Atlântico rumo ao norte, Baquaqua dizia que a cada dia que se passava que estava chegando mais próximo de Nova Iorque, já se sentia um homem livre.

“Aquela foi à época mais feliz da minha vida, mesmo agora meu coração palpita com jubiloso deleite quando penso naquela viagem, e creio que Deus todo misericordioso tudo ordenou para o meu bem; como me sentia grato”. (BAQUAQUA).

Mas antes de Baquaqua chegar em seu destino este ainda viria a sofrer durante a viagem. Num dia de vento forte, Baquaqua acabou não ajudando de forma correta os outros escravos, isso enfureceu o capitão do navio o qual o chicoteou severamente. Naquele momento ele disse para que o capitão o matasse de vez, mas o capitão não fizera isso. Baquaqua disse que não iria implorar por misericórdia e assim apanhou severamente. Ele conta que suas costas e braços ficaram com marcas profundas, dilacerações causadas pela surra que levou. “embora estivesse machucado e despedaçado, meu coração não estava subjugado”.

Dias depois eles chegaram ao porto de Nova Iorque, em seu relato ele conta que foi bem recebido pelos americanos. Depois de alguns dias trabalhando, Baquaqua fez menção em dizer ao seu dono que não queria voltar mais ao Brasil, que ficaria ali e seria um homem livre. O capitão indignado com ele, ordenou que três escravos o capturassem, e assim Baquaqua passou alguns dias preso no navio, até que num dia foi solto, e o capitão concordou em lhe conceder a liberdade. Baquaqua desceu do navio alegre, mas fora capturado por um guarda do porto, o qual achara que ele tentava fugir. Ele passou uma noite trancafiado na prisão, até que o seu dono fora libertá-lo e o levou de volta ao navio. Isso havia sido no sábado e na segunda-feira, a liberdade chegou.

Baquaqua conta que três carruagens pararam no porto e homens bem vestidos subiram a bordo do navio, lá, estes obrigaram o capitão a baixar a bandeira e a libertar os escravos que trazia consigo, o capitão relutou em aceitar tais condições, mas acabou concordando.
“Fomos posteriormente, levados em suas carruagens, acompanhados pelo capitão, a um prédio muito bonito com um pórtico esplêndido de mármore, era circundada por uma elegante grade de ferro, tendo portões em diversos lugares, ornamentada ao redor com árvores e arbustos de vários tipos”. (BAQUAQUA).

Tal lugar era a prefeitura de Nova Iorque, lá eles foram conduzidos até a presença do cônsul do Brasil. O cônsul lhes questionou se queriam voltar para o Brasil, uma escrava disse que queria voltar, Baquaqua e outros disseram que não iriam voltar. Após várias perguntas, os escravos foram conduzidos para alojamentos que mais pareciam uma prisão. Baquaqua disse que temia que o cônsul não concordasse com eles e os levaria a força de volta para o Brasil.

Porém, depois de algumas noites, alguém acabou libertando os escravos, eles fugiram e seguiram viagem para a cidade de Boston em Massachussetts. Baquaqua não diz o nome destas pessoas, mas diz que eram amigos interessados em libertá-los. Ele permaneceu cerca de um mês em Boston, até que ganhou a possibilidade de viajar mais uma vez, ofereceram a oportunidade de ir para a Inglaterra ou para o Haiti. Baquaqua escolheu ir para o Haiti, pois acreditava que o clima de lá fosse parecido com o da sua terra.

No Haiti ele residiu por dois anos na cidade de Porto Príncipe, já sendo um homem livre. Lá ele passou a ser protegido e a trabalhar para a Sociedade Missionária Batista Livre. Baquaqua foi educado para se tornar um missionário cristão e possivelmente viajar para a África para converter mais devotos. Contudo ele não se tornou missionário e no ano seguinte em 1849, voltou para Nova Iorque onde ingressou no Colégio Central de Nova York. Ele permaneceu no colégio até o ano de 1853, mas não se sabe se chegou a se formar.

Entre 1853 e 1854 ele se mudou para o Canadá, lá conheceu Samuel Moore, o qual se interessou por sua história e decidiu escrever sua biografia. Pelo fato de não saber falar francês e inglês fluentemente, ele narrou a maior parte de sua história em português. Assim, Moore a traduziu e a publicou em 1854, sob o título de A Biografia de Mahommah G. Baquaqua, um nativo de Zoogoo, do interior da África.

A obra foi publicada em Detroit em língua inglesa, logo se tornou um livro conhecido, mas não fizera tanto impacto como foi o livro de Equiano, já que na época de Baquaqua a escravidão e o tráfico nos estados do norte dos Estados Unidos e no Canadá praticamente não existiam. Depois disso ele viajou para a Inglaterra em 1855, e de lá não se conhece mais nada a respeito de sua vida. Acredita-se que tenha morrido em 1857, porém ainda é uma data questionada.


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Bibliografia